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risco altoBUG2026-08-31 · 2 min de leitura
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Operadores do ransomware Aurora usam o agente de codificação Cursor AI em ataques contra pelo menos 10 alvos

Resumo executivo

Pesquisadores da CloudSEK e da Gambit Security encontraram um diretório aberto que expôs meses de atividade do grupo de ransomware Aurora usando o agente de código Cursor (rodando Claude Sonnet) para planejar e executar invasões completas contra pelo menos 10 organizações. O agente foi usado para escanear redes, montar ataques de relay NTLM e abuso de certificados, e orientar o operador em russo durante toda a cadeia de ataque. O caso mostra assistentes de codificação com IA sendo incorporados como copiloto operacional dentro de intrusões reais, não apenas para escrever malware previamente.

A CloudSEK e a Gambit Security publicaram, de forma independente, análises baseadas em um diretório de armazenamento deixado aberto pelos operadores do ransomware Aurora (também conhecido como Aur0ra), um grupo de língua russa. O vazamento expôs meses de atividade contra mais de 20 organizações em 9 países, incluindo histórico de comandos de shell, o toolkit de intrusão, o encryptor e as chaves usadas nas negociações de resgate. Entre abril e maio de 2026, pelo menos 10 alvos foram atacados usando o Cursor — o mesmo agente de codificação com IA (rodando o modelo Claude Sonnet da Anthropic) da empresa hoje controlada pela SpaceX — como ferramenta operacional durante a intrusão, não apenas para escrever código malicioso previamente.

Tecnicamente, o operador conversava com o Cursor Agent em russo para planejar cada etapa do ataque, incluindo instrução explícita para excluir intervalos de IP e domínios de países da CIS (Comunidade de Estados Independentes) — um padrão comum entre grupos que buscam evitar processos em jurisdições "domésticas". A partir daí, o agente foi usado para instalar clientes VPN e proxychains, escanear sub-redes internas com Nmap e NetExec, enumerar domínios do Active Directory para localizar contas privilegiadas, e montar ataques de NTLM relay com ferramentas como PetitPotam, Coerce Plus, PrinterBug e Certipy. O acesso inicial normalmente vinha de campanhas agressivas de email bombing seguidas de ligações telefônicas (vishing), e a movimentação lateral usava SMB, LDAP, WinRM, RDP e RPC, com o utilitário Xray-core garantindo acesso remoto persistente. O encryptor final, escrito em Zig, apaga shadow copies, desativa a restauração do sistema e usa um script dedicado (esxi_finder.py) para localizar hosts VMware ESXi e vCenter antes de cifrar.

O caso importa porque documenta, com evidência de infraestrutura real, um padrão que analistas vinham prevendo apenas de forma especulativa: agentes de codificação com IA sendo usados como copiloto interativo durante toda a cadeia de ataque — reconhecimento, exploração de relay, movimento lateral e busca por hipervisores — e não apenas para gerar payloads isoladamente. Isso reduz a barreira de conhecimento técnico necessária para executar ataques de rede relativamente sofisticados (relay NTLM, abuso de certificados) e levanta a questão de quais controles de abuso as ferramentas de codificação com IA deveriam ter para dificultar esse tipo de uso operacional em tempo real por grupos de ransomware.

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